EBD | Apocalipse 12.7-12 – O acusador foi expulso

A guerra no céu, a queda do dragão e o hino que celebra a vitória do povo de Deus

Uma guerra que começou no céu

Apocalipse 12.7-12 conta a batalha que estava escondida por trás do versículo 4 e mostra que Satanás já perdeu o seu lugar. No versículo 4, a cauda do dragão arrastou um terço das estrelas do céu. Agora João conta a história inteira: “Então, houve guerra no céu” (12.7). A passagem tem duas partes. Nos versículos 7 a 9, vemos a batalha. Nos versículos 10 a 12, um hino do céu explica o que essa vitória significa para nós.

Quando aconteceu essa guerra? Muitos estudiosos entendem que João olha para a queda original de Satanás, antes da história humana. Jesus disse: “Eu vi Satanás cair do céu como um raio” (Lc 10.18). Outros ligam a cena à cruz, onde Cristo “triunfou” sobre os poderes (Cl 2.15). Outros ainda a colocam no fim dos tempos.

O texto bíblico nos dá a entender que as três coisas se tocam. Satanás foi derrotado no princípio, foi vencido de vez na cruz e será destruído no fim (20.10). É o “já e ainda não”: a vitória já aconteceu, mas ainda vai se mostrar por completo.

Miguel contra o dragão

Repare que quem luta contra o dragão não é Deus, mas Miguel, e isso mostra que Satanás não é rival de Deus. A Bíblia não ensina dois deuses iguais, um bom e um mau, disputando o mundo. Satanás é uma criatura. Para derrotá-lo, basta um arcanjo.

Miguel aparece em Daniel como “o grande príncipe” que “se levantará a favor dos filhos do teu povo” (Dn 12.1). Em Judas 9, ele enfrenta o Diabo e diz: “O Senhor te repreenda!”. Ele é o protetor do povo de Deus.

O resultado da batalha cabe em poucas palavras: “estes não prevaleceram e perderam seu lugar no céu” (12.8). Em Daniel 7.21, a besta “prevalecia” contra os santos. Aqui a cena se inverte, e quem não prevalece é o dragão. O verbo “foi expulso” está na voz passiva: por trás da espada de Miguel está a mão de Deus

Quem é o dragão?

O versículo 9 traz a descrição mais completa do Diabo em todo o Novo Testamento, e ela mostra que a sua principal arma é a mentira. Ele recebe quatro nomes:

  1. O grande dragão: o monstro do caos, que Deus prometeu vencer (Is 27.1).
  2. A antiga serpente: a mesma que enganou Eva no Éden (Gn 3.1-15).
  3. Diabo e Satanás: as duas palavras significam “adversário”, aquele que acusa diante do juiz.
  4. O que engana todo o mundo: a sua obra de sempre.

Hoje é comum imaginar Satanás como um ser de enorme poder. O retrato bíblico é outro. Ele é “o deus deste século” (2Co 4.4), mas o seu poder se limita a este mundo e não alcança o céu. O que ele mais faz é enganar: “o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz” (2Co 11.14). Por isso a nossa defesa não é o medo, mas a verdade.
No fim, ele e seus anjos “foram lançados à terra”. Quem lançou as estrelas sobre a terra (12.4) agora é lançado do mesmo jeito.

O hino da vitória

Logo depois da batalha o céu canta, e o hino explica que a queda do dragão é uma boa notícia para o povo de Deus: “Agora chegaram a salvação, o poder, o reino do nosso Deus e a autoridade do seu Cristo” (12.10).
Cada palavra tem peso. A salvação, aqui, tem o sentido de libertação e vitória: Deus derrotou o inimigo e livrou o seu povo. O poder é o de Deus, muito acima do poder apenas terreno do dragão. O reino é o de Deus, que substitui “o reino do mundo” (11.15). A autoridade é a de Cristo, que recebeu do Pai o governo sobre as nações (Mt 28.18).

A palavra “agora” também é importante. O reino já chegou com a morte e a ressurreição de Jesus, e ainda vai chegar por completo quando ele voltar. O hino celebra as duas coisas de uma só vez.

O acusador foi expulso

O motivo do hino é que o acusador perdeu o seu lugar diante de Deus, e por isso nenhuma acusação contra o crente fica de pé. O texto o chama de “o acusador de nossos irmãos”, aquele “que dia e noite os acusava diante do nosso Deus” (12.10). A linguagem é de tribunal: Satanás age como um promotor.

Vemos isso no Antigo Testamento. Satanás acusou Jó de servir a Deus por interesse: “Será que Jó teme a Deus sem intenções?” (Jó 1.9). Também se colocou ao lado do sumo sacerdote Josué “para se opor a ele” (Zc 3.1), e o Senhor o repreendeu.

Satanás ainda tenta nos acusar. Ele lembra os nossos pecados e diz que não temos mais jeito. Mas a Palavra responde: “Quem trará alguma acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica” (Rm 8.33). Temos “um Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o justo” (1Jo 2.1). A vitória na guerra é também a vitória no tribunal.

Como os santos vencem

O versículo 11 mostra que o povo de Deus também vence o dragão, e de três maneiras:

“Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho e, mesmo diante da morte, não amaram a própria vida”.

  • Primeiro, pelo sangue do Cordeiro. A base de toda vitória espiritual é a cruz, nunca a força humana. Foi ali que o Cordeiro comprou para Deus “homens de toda tribo, língua, povo e nação” (5.9).
  • Segundo, pela palavra do seu testemunho. Os crentes não se escondem. Eles vivem com fidelidade a Cristo e falam dele, mesmo sob pressão.
  • Terceiro, não amaram a própria vida. Jesus ensinou: “quem perder a vida por causa de mim e do evangelho, irá preservá-la” (Mc 8.35). Isso não quer dizer que todo cristão será mártir. Quer dizer que todo cristão deve estar disposto a ser “fiel até a morte” (2.10). Quando um santo permanece fiel, mesmo morrendo, o dragão perde mais uma vez.

O que este texto nos ensina hoje

O versículo 12 fecha com duas reações: “alegrai-vos, ó céus”, mas “ai da terra e do mar!”. O Diabo desceu “com grande ira, sabendo que pouco tempo lhe resta”. A fúria dele não é sinal de força, mas de derrota. Para a nossa vida, ficam quatro lições:

  1. Satanás não é igual a Deus. Ele é uma criatura derrotada, vencida por um anjo e esmagada na cruz.
  2. A arma dele é a mentira. Por isso permanecemos firmes na verdade, revestidos de “toda a armadura de Deus” (Ef 6.11).
  3. Nenhuma acusação nos condena. “Agora já não há condenação alguma para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1).
  4. O tempo dele é curto. A perseguição pode crescer, mas o fim do inimigo já está marcado (20.10).

A ordem para cada crente continua a mesma:

“sujeitai-vos a Deus, mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).