DEUS, CASAMENTO E FAMÍLIA: Reconstruindo o fundamento bíblico

O Casamento no Antigo Testamento – Parte 2
Publicado em 27/06/2021

ESTUDO BÍBLICO

DEUS, CASAMENTO E FAMÍLIA: Reconstruindo o fundamento bíblico

O Casamento no Antigo Testamento – Parte 2

 

Desvios do ideal de Deus para o casamento

No estudo passado examinamos Gênesis 1 e 2 conhecendo os ideiais de Deus para o casamento, após a Queda vemos a humanidade se corrompendo quanto a isso, inclusive na história do antigo Israel, adotando um padrão pecaminoso com relação ao matrimônio. Vamos estudar hoje 4 destes padrões, quais sejam: Poligamia, divórcio, adultério, homossexualidade, esterilidade e a retirada das diferenças entre homens e mulheres dentro do plano de Deus, o que viola a complementaridade.

 

Poligamia

Uma das formas de entender o ideal divino para o matrimônio é observando seus atos e palavras na criação e organização dela, registrados em Gênesis 1 e 2. Intencionalmente Deus fez apenas Eva para Adão, em que pese ele pudesse ter criado várias mulheres para dar ao homem, mas Deus revela Seu plano para Adão na criação de uma mulher e com as seguintes palavras: “Por isso, o homem deixa pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne” (Gênesis 2:24).

O primeiro aspecto deste ponto que gostaria de abordar é uma “poligamia de origem”, quando o “cordão umbilical” da família de origem não é rompido. Tanto pais quanto filhos podem ter dificuldade no início do processo descrito em Gn 2.24, o deixar.

Quando o filho ou a filha se casam eles deixam a família de origem no sentido de serem indivíduos que vão se unir a outra pessoa, formando, assim uma nova família. Esta nova unidade familiar pode ter problemas no início do processo: “deixar pai e mãe”.

Algumas pessoas encaram este “deixar” como algo “mal”, “perverso” e dizem “nunca deixarei de amar meus filhos (ou pais)”. Mas, este sentimento apenas evidencia alguns problemas. O primeiro é que a afirmação está baseada nos sentimentos e não na verdade. Deus jamais pensou no casamento como uma forma de rompimento do amor para com a família de origem ou o interrompimento dos afetos. Mas, o casamento é o marco de uma nova unidade familiar, que mantém vínculos de amor com sua origem, mas não dependência.

O ponto é que alguns pais/mães tornam-se dependente de seus filhos, emocionalmente, então o “protesto” é porque terão que lidar com esta dependência, que, de fato, não é amor, pode ser até o oposto: egoísmo.

Isto acontece muitas vezes porque o casamento não vai bem, os problemas não são resolvidos, então os cônjuges colocam os filhos acima da relação matrimonial, suprindo-se assim de afetos. Isso parece funcionar por alguns anos, mas quando é para o(a) filho(a) sair de casa e viver a sua vida o problema da dependência aparece na vida dos pais e dos filhos. Sim, porque isso também não faz bem para os filhos, que apresentarão problemas na construção de um novo núcleo, tanto em deixar quanto a unir-se, constituindo, o que eu estou figuradamente chamando de “poligamia familiar”, ou seja, há mais pessoas envolvidas neste casamento – e não deveriam estar lá.

A melhor maneira de lidar com isso é naturalmente evitando, criando os filhos com amor, mas sem depender emocionalmente deles (e criar esta dependência neles), sobretudo cuidando do próprio casamento, do relacionamento com o cônjuge e se si mesmo como indivíduo, com atenção espiritual e emocional dentro dos relacionamentos. Se os problemas já existem o caminho será outro. A mesma Palavra que revelou a verdade nem tão agradável é a mesma que cura e dá esperança e fé. Em sua caminhada com Jesus você vai precisar acrescentar esta situação às suas orações, buscar aconselhamento e praticar a Palavra. Jesus sempre é nossa esperança e força!

 

Quanto à poligamia propriamente dita, ou seja, a participação de mais de um cônjuge na relação, a Bíblia a apresenta e trata.

Depois da Queda o pecado foi progressivamente se desenvolvendo sobre a terra (Gn 6) e o ideal divino para o casamento foi sendo corrompido. Após a morte de Adão a Bíblia registra que “Lameque tomou para si duas esposas: o nome de uma era Ada, e o nome da outra era Zilá” (Gênesis 4:19).

O padrão seguiu na vida de vários homens (mas nem todos) em Israel, incluindo patriarcas e reis. Temos casos de poliginia (casamento com várias mulheres), mas não de poliandria (casamento de uma mulher com vários homens). Além de Lameque temos exemplos na vida de outros personagens, como: Abraão (Gn 16.3), Esaú (Gn 26.34;28.9), Jacó (Gn 29.30), Gideão (Jz 8.30), Elcana (ISm 1.1-2), Davi (2Sm 3.2-5; 5.13), Salomão (lRs 11.3), Acabe (2Rs 10.1), Joaquim (2Rs 24.15), Assur (lCr 4.5), Roboão (2Cr 11.21), Abias (2Cr 13.21), Jeorão (2Cr 21.14) e Joás (2Cr24.1-3).

A pergunta natural que surge é: “como até homens piedosos da Bíblia viveram fora do padrão de Deus, a exemplo de Abraão, Davi e Salomão (antes de se desviar)? A resposta é que o pecado afetou o ser humano de uma maneira irremediável, a própria lei veio para mostrar isso. A verdade é que SOMENTE Jesus poderia resolver a situação do pecado. Outra pergunta surge: “Por que então Deus não enviou logo Jesus e resolveu a situação?” Estas perguntas são oriundas da nossa mente limitada humana, se este fosse o melhor caminho, Deus o teria tomado, pois não lhe falta poder para isso. Veja como o NT fala sobre a lei:

Gálatas 3.19, diz: “Logo, para que é a lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem se fez a promessa, e foi promulgada por meio de anjos, pela mão de um mediador” (NAA).

A NVT traduz da seguinte forma: “Qual era, então, o propósito da lei? Ela foi acrescentada à promessa para mostrar às pessoas seus pecados. Mas a lei deveria durar apenas até a vinda do descendente prometido. Por meio de anjos, a lei foi entregue a um mediador” (Gálatas 3:19).

O coração humano é orgulhoso, sem uma história clara do homem tentando ser bom sozinho não ficaria provada a sua incapacidade para tanto, e comprovado o motivo: a sua natureza pecadora que o impede de viver o padrão de Deus. Romanos 3.23 diz: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Romanos 3:23, NAA), a versão NVT diz: “Pois todos pecaram e não alcançam o padrão da glória de Deus”. O escritor cristão C.S. Lewis afirmou: “Nenhum homem sabe o quanto é mau, até se esforçar para ser bom”.

O que Deus fez foi conduzir a história da salvação, tutelando o homem através da lei, que ao mesmo tempo evidenciava sua natureza e minorava os estragos do pecado na prática, impedindo que o homem fosse tão mal quando possível, até que viesse a graça, no devido tempo, e nos desse uma nova natureza pelo Evangelho de Deus e Jesus mudasse todas as coisas. O Novo Testamento vai então afirmar: “...cada homem tenha a sua esposa, e cada mulher tenha o seu próprio marido” (1 Coríntios 7:2). Até que isso acontecesse os homens eram apenas controlados e conduzidos, mas Deus não deixou de se revelar a eles e de exercer soberania sobre suas vidas – pois tinha o plano perfeito e controle de todas as coisas.

Dito isso contudo, é importante destacar que estes homens que praticaram a poligamia não deixaram de colher os frutos errados de suas ações, o autor do nosso estudo, afirma:

O Antigo Testamento registra, por exemplo, os conflitos resultantes do favoritismo nos casamentos polígamos de Jacó (Gn 29.30), Elcana (ISm 1.4-5) e Roboão (2Cr 11.21), e o fato de que o ciúme era um problema constante entre as esposas de Abraão (Gn 21.9-10), Jacó (Gn 30.14-16) e Elcana (ISm 1.6) que concorriam entre si. As Escrituras relatam, ainda, que as mulheres estrangeiras de Salomão “desviaram seu coração para seguir outros deuses” (lRs 11.4), uma transgressão do primeiro mandamento, e os vários casamentos de Davi resultaram em incesto e homicídio entre sua prole. Em resumo, a Bíblia deixa claro que os indivíduos da história de Israel que se desviaram do plano monogâmico de Deus e praticaram a poligamia o fizeram contra a vontade do Criador e, em última análise, em prejuízo próprio.

Ninguém deixa de colher o que planta, colhendo desordem por viver fora do plano de Deus para a vida humana.

 

No próximo estudo vamos continuar de tudo aquilo que a Bíblia mostra que são desvios para o padrão de Deus que é o casamento, mas que o mundo chama de “amor”, “poliamor”, “várias formas de amar”. Chamar o pecado de amor fica mais palatável para o mundo pecar em paz. Ainda vamos abordar sobre a homossexualidade, esterilidade, a deterioração das diferenças entre os sexos. Depois, ainda no AT trataremos sobre a mulher de Provérbios 31, a beleza do sexo no casamento e extrairemos lições boas e ruins de alguns casais do AT, tem muita coisa boa ainda por vir!

Pr. Leandro Hüttl

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