Incoerência é morte || 1 Coríntios 15.12-34 || Pr. Leandro Hüttl

Culto de Louvor e Edificação
Publicado em 14/06/2021

SERMÃO

INCOERÊNCIA É MORTE | 1 CORÍNTIOS 15.12-34
Pr. Leandro Hüttl

“Independência ou morte!”, bradou o então Príncipe Regente do Brasil, Dom Pedro de Alcântara, em 7 de setembro de 1822 na companhia da guarda que com ele ali estava. No dia 1º de dezembro do mesmo ano, D. Pedro foi coroado imperador do Brasil, com o título de D. Pedro I.

Isto mudou o destino do Brasil, que se tornou independente de Portugal, livrando-se do monopólio econômico português e de outros conflitos que tinha com a nação descobridora.

O que motivou o ato foi, dentre outras coisas, foi o desentendimento entre os deputados portugueses e brasileiros nas Cortes de Lisboa, a pressão da elite econômica brasileira e as ideias iluministas a respeito da liberdade dos povos.

Esta sentença, “independência ou morte” mudou os rumos da nação.

É sobre uma outra sentença que eu gostaria de refletir contigo nesta noite: “incoerência é morte”, que pode mudar absolutamente algo ainda maior do que o destino de uma nação, que é precisamente a sua vida pessoal com Deus e o seu relacionamento com a sua comunidade de fé, a igreja.

Precisamos para isso ter motivações que nos levem a este brado de independência espiritual, como houve motivos para a independência da nossa nação, mas, através da fé na Palavra, ter independência do nosso próprio coração e buscar a liberdade espiritual encontrada em seguir os passos de Jesus revelados na Palavra!

 

O que estava acontecendo em Corinto?

Na cultura grega acreditava-se que a morte “libertava” a alma do corpo. Depois disso, a alma boa ia para junto de Deus (ou dos “deuses”) e a matéria se perdia para sempre. Criam que o ser humano era constituído de duas partes, uma eterna e de origem divina, a alma; e outra mortal feita de matéria. Depois da morte, apenas a alma continuava existindo e ela era imortal.

Não é à toa que o ensino da ressurreição do Senhor causava tanto espanto no primeiro século. O ensino de Paulo para os coríntios contratava diretamente com o que a mente daqueles crentes tinha como certo e cristalizado, conforme a cultura do seu tempo tinha imposto a eles.

Paulo insiste que não existem almas desencarnadas eternamente. A obra da salvação será plenamente concluída depois da nossa ressurreição, quando o corpo retornar a viver, numa condição diferente da que temos hoje. Sim, nós teremos plena consciência depois da morte. Até a ressurreição do corpo, a nossa alma de fato estará diante de Deus, adorando-O enquanto aguardamos a concretização do plano final da redenção.

Paulo disse em Filipenses 1:23: “Estou cercado pelos dois lados, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor. Mas, por causa de vocês, é mais necessário que eu continue a viver”.

Pelo menos três grandes lições aprendemos nesta passagem, que vamos apenas citar hoje, mas desenvolver somente na próxima pregação:

  • Existe vida após a morte: Paulo diz que vai continuar vivendo por amor aos irmãos, mas entende que se a morte é apenas uma partida, o verbo que ele usou para partir “analuo” (diz-se: “’nalo”) no grego, significa “ir embora”, “partir”, “soltar”, “morrer”, “retornar”. Para Paulo a morte não significava aniquilação, o fim; mas sim uma passagem. Aliás, na avaliação dele, como salvo, algo incomparavelmente melhor a esta existência aqui na terra.
  • Ele não tinha em mente que ficaria dormindo, “apagado”, em “coma”, “congelado” ou qualquer outra coisa do gênero. A afirmação dele foi direta: “partir e estar com Cristo”. Algo imediato, instantâneo. Ele não fala algo como: “partir e esperar para encontrar com Cristo”. Não, ele usa do verbo “estar”, a tradução do grego nos ajuda muito a reforçar o argumento de estar imediatamente na presença de Deus depois da morte (einai – diz-se: ener), no original o verbo significa: “ser, existir, acontecer, estar presente”. Assim, Paulo entende que após a morte ele estaria existindo, estaria presente com Cristo, num fechar a abrir de olhos. Imediatamente.
  • Se Paulo tem em mente a existência após a morte imediata diante de Deus, e sabemos que ressurreição será ao mesmo tempo para todos, significa que aqueles que já morreram (e ainda vão morrer) experimentam o que em teologia chamamos de “estado intermediário”. Que é a nossa existência somente no estado da alma, aguardando a ressurreição do corpo, na volta de Jesus, quando voltaremos ao estado normal de seres humanos: temos uma alma/espírito e um corpo, unidos em uma única unidade. Os que estiverem vivos na volta de Cristo não experimentarão esta condição.

Aos próprios coríntios Paulo escreveu: “Sim, temos tal confiança e preferimos deixar o corpo e habitar com o Senhor” (2 Coríntios 5:8).


         Falaremos mais sobre a morte e seus efeitos, tanto para os salvos quanto para os não salvos, no próximo domingo, se Deus permitir. Mas, por hora, saiba que deixar o corpo significa, para os santos, simplesmente estar com o Senhor imediatamente, no lar; tão simples quanto isso – mas que custou tudo para Cristo, louvado seja o Senhor. Nas palavras de John MacArthur: “tudo o que a morte pode fazer q um crente é entregá-lo a Jesus”.

Mas, para hoje, no propósito do texto bíblico que estamos examinando, começo destacando que a cultura grega estava errada: não haverá existência eterna apenas em forma de alma (“penada”), teremos um corpo glorificado, não mais de carne e osso, mas glorioso.

E isto era muito, mas muito difícil de entrar na mente de muitos dos corintos.

O segundo destaque que faço, portanto, é a dificuldade que temos de romper com a cultura, o que acontece somente pela fé e pelo poder de Deus que está em Sua Palavra e isso para qualquer assunto e não apenas para a morte.

A cultura deles defendia a separação eterna do corpo e da alma; e a pregação cristã de Paulo proclamava a ressurreição do corpo e a união eterna com a alma.

O texto de hoje na verdade nos remete mais a pensarmos da dificuldade de mudar a nossa mente, migrando de ensinamentos recebidos da cultura, que são baseados meramente na carne, para a Verdade de Deus revelada em Sua Palavra. Mas, como temos dito, apenas a Verdade liberta, e continua nos libertando e alimenta a nossa fé, a fim de vivermos por ela.

Não somos chamados para viver pelos sentimentos, achismos ou opiniões em qualquer área da nossa vida. Eles atrapalham a compreensão da Verdade, porque foram atingidos pelo pecado. O que mostra que precisamos da Verdade de Deus, vindo alto e revelada para andarmos bem em todas as áreas da vida também.

Viver do nosso jeito cria incoerência, veja o caso dos coríntios:

  • No caso deles, não crer na ressurreição do corpo batia frontalmente com o certe da salvação: Se os mortos não ressuscitam, Cristo não ressuscitou. Os efeitos disso é que a fé dos corintos era vã e, logo, eles ainda estavam em seus pecados e presos ao juízo condenatório, não estavam salvos;
  • Além deles, os entes queridos que haviam crido em Jesus estavam perdidos para sempre, posto que, sem ressurreição os mortos não têm esperança de salvação eterna, já que, neste caso Cristo não tinha pagado pelos pecados com a morte e dado nova vida aos que haviam crido. Os mortos no Senhor não tinham esperança alguma e os vivos menos ainda, pois não sabiam do padeiro de seus queridos e nem o deles mesmos.
  • Sem a ressurreição os ensinamentos de Jesus talvez valessem somente para este mundo, como uma filosofia de vida, bons conselhos e alguma orientação para viver aqui nesta terra. Logo, os crentes seriam as mais infelizes das criaturas, pois se guardaram deste mundo em vão. Nem tanto por ficar longe do mundo, mas porque a fé com que fizeram isso não os levará a lugar algum. Sabemos que não é assim, mas a incoerência da fé dos corintos em um ponto estava causando problemas em várias outras áreas, e é isso que o texto que Paulo quer mostrar a eles: não podemos crer apenas naquilo que escolhemos da fé cristã. O cristianismo é um todo amarrado, para o nosso bem aqui neste mundo e na eternidade.
  • A esperança da vida eterna sem condenação estaria totalmente aniquilada, a morte não teria sido vencida e não haveria o trinfo final sobre ela.
  • Ele fala sobre “o os que se batizam por causa dos mortos” e aqui isto pode não significar um batismo substituo para salvar alguém já morto, e nem se batizar em nome dos mortos como se eles tivessem poder para salvar; senão Paulo os advertiria em todos os caso, mas pode significar uma situação que alguns se batizaram porque haviam feito uma promessa a um ente querido à beira da morte, a fim de que pudessem se reencontram. Como provavelmente todos eram cristão, Paulo então os corrige teologicamente, apenas lembras que não haveria efeito nenhum o seu batismo, como evidência de salvação, e eles não se encontrariam seus queridos novamente.
  • Neste sistema incoerente, Paulo lutou, como homem, contra feras, em vão. Metaforicamente, ele deveria estar se está lembrando da multidão de efésios ferozes, incitada contra ele por Demétrio em Atos 19: 23-34. Se não há ressurreição, então vamos sentar, comer e beber e aguardar a morte chegar, não há motivos para sofrermos pela causa do Evangelho, não adiantam os sofrimentos de tantos missionários e pastores, sangue dos mártires e tudo o mais. Não sem a ressurreição.

Estas são algumas das incoerências listadas pelo apóstolo Paulo em função da igreja querer mexer uma doutrina central como a ressurreição. Mas em qualquer outra também haveria efeitos.

E o que poderia estar causando isso?

Paulo alerta para o problema das más companhias, que corrompem os bons costumes. Este era uma dito popular da época, retirado de uma peça famosa para eles, chamado de “Thais”, de Meander, tão famosa quanto Shakespeare é para nós.

Ainda hoje ouvimos “diga-me com quem andas, que te direi quem és”.

Aqui temos então um alerta bem claro: andar pelos valores do mundo, mesmo se dizendo evangélico, pode facilmente desviar você da doutrina.

Infelizmente muitos dos que se dizem crentes não têm dificuldade em conciliar valores da cultura e participar da comunidade de Cristo. O conteúdo da fé deles é desvinculado do modo de vida. A Bíblia é somente a regra de fé e não de prática, o que, por fim é um engano. Se a pessoa realmente crê ela vai lutar confiando em Cristo para alinhar a vida aos valores da fé.

Em tudo: viver, relacionar-se, vestir-se, namorar, comprar, vender, trabalhar, estudar, pensar, imaginar, desejar. Não que ela vai começar perfeito em tudo isso, mas ela vai buscar a Deus em todas as áreas da sua vida e vai permanecer sempre alinhando-se com o Senhor.

 

Qual a solução quando caímos neste engodo, hoje ainda mais fácil, porque temos a cultura do secular no mundo gospel descompromissado com o Evangelho?

“Voltem à sobriedade, como convém, e não pequem. Porque alguns ainda não têm conhecimento de Deus. Digo isto para vergonha de vocês” (1 Coríntios 15:34).

Paulo fala para voltarem à sobriedade. Do original a ideia é se curar de uma embriagues. Voltar a ter a mente sóbria.

O que embriagava os coríntios e que vimos o tempo inteiro nesta série? A influência do mundo, da cultura local. A fato é que a crença molda o comportamento. Se você não mudar a mente, não deixará o estado de embriagues do mundo e não terá uma mente sóbria, renovada na pura Palavra de Deus.

Arrependa-se se você tem escolhido no que crer, ao invés de escolher crer naquilo que Deus revelou.

O Senhor oferece perdão e graça para nos fazer andar Seu caminho. O que vamos preferir? Perdão e graça ou disciplina e correção?

O que na sua vida está errado que deve ser consertado primeiro mudando sua mente e sua opinião? Todo mundo hoje tem opinião para tudo e aprendeu a defendê-la. Mas, na vida com Deus isso não é assim. Nós cedemos e aprendemos para o nosso próprio bem.

 

CONCLUSÃO

Reafirmamos com esta passagem a correta aprendizagem d4 nossa crença na ressurreição do Senhor Jesus Cristo e a necessidade dela para a nossa salvação. A Bíblia diz: “Estou certo de que aquele que começou boa obra em vocês há de completá-la até o Dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1:6). A ressurreição é a base de toda esta obra que Ele começou e da conclusão maravilhosa dela que está por vir. A glorificação nos trará um gozo na alma maior do que qualquer prazer ilícito possa nos proporcionar hoje e isso para o engano e a perdição.

Mas, o texto também nos ensinou o perigo das incoerências nas doutrinas da vida cristã, na importância da teologia para a igreja e o valor que ela tem para o crescimento e um viver piedoso e coerente com a obra da cruz.

Teologia é muito importante para a igreja. Interessante que hoje muitos toleram no púlpito psicologia, vários tipos de terapia, coaching, palestra motivacional e etc, mas não teologia, a necessidade fundamental para a fé da igreja.

Quais são nossas incoerências? O que na sua vida você tem escolhido crer a fim de adaptar ao que você quer e tem interesse e se adapta melhor à sua maneira de pensar?

O que podemos, todos nós, estar adaptando ao ensino da nossa cultura de hoje, a fim de moldar o Evangelho à nossa mente, e não ao contrário?

Essa postura pode ser temerária, na verdade, para os corintos, incoerência doutrinária significou morte e morte eterna.

Pensemos bem antes de querermos caminhar sem a sã doutrina, sem a Verdade, sem uma boa teologia que se debruce na Bíblia a fim de extrair dela a mensagem e não de tentar colocar lá o que sentimos, pensamos ou achamos sobre Deus e sobre a vida.

Pense nisso. Amém

Pr Leandro Hüttl

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