Mais de Cristo || 1 Coríntios 15.1-11 || Pr. Leandro Hüttl

Culto de Louvor e Edificação
Publicado em 07/06/2021

Assim que termina de falar sobre ordem e decência no culto, enfatizando a todo tempo que o cerne do uso dos dons deve ser a clara e compreensível exposição da Mensagem de Deus a todos os que estiverem reunidos para cultuar o Senhor, visando edificação e paz – e não show pessoal e confusão –, Paulo imediatamente relembra à igreja a pura e cristalina mensagem do Evangelho. O objetivo é que os cristãos retenham a Palavra, dando importância à pregação que ouviram sobre a graça de Deus.

Paulo abre o capítulo 15 ensinando que a pregação do Evangelho que ouvimos no começo da caminhada deve continuar permeando nossos corações e mentes. Portanto, não é o tipo de mensagem que ouvimos somente no começo da caminhada e voltamos a ela quando evangelizamos ou talvez no dia de Culto de Ceia. Esta mensagem é a nota principal que rege nossa fé e vida.

“’Nada além de Jesus’, este deve ser o lema constante em nosso Espírito”, disse Charles Haddon Spurgeon.

Portanto, não se dá o caso de receber a salvação e depois dizer: “o que Deus pode fazer pela minha empresa, meu casamento, meus negócios e minha saúde?”. Estas coisas não são excluídas pela pregação do Evangelho, mas elas não são a tônica das mensagens no culto a Deus, das prioridades dos cristãos e tampouco são o Evangelho de Deus. Elas são coisas secundárias, as quais podemos confiar e descansar que Deus nos ajudará, depois de retermos cada vez mais em nosso coração a mensagem da Vida eterna produzindo frutos e mudanças em nós.

E no que consiste a mensagem? Paulo nos diz que é a pregação sobre a morte, resultante da crucificação do Senhor, seguida do sepultamento e então a Sua gloriosa ressurreição - tudo predito nas Escrituras (AT), cumprido e consumado por Jesus e diante de testemunhas.

Estas testemunhas foram:

  1. em primeiro lugar Pedro (chamado por Paulo de “Cefas”, que preferia usar o nome aramaico do colega apóstolo),
  2. os Doze (expressão usada para denotar o grupo apostólico treinado pelo Senhor, não o número exato, pois Judas havia se suicidado e não o tinham substituído por Matias ainda (At 1)),
  3. a mais de 500 irmãos e irmãs,
  4. depois a Tiago (provavelmente o meio-irmão do Senhor, que só se converteu depois da ressureição, tornou-se o principal líder da igreja de Jerusalém e escreveu a carta do NT que leva o seu nome),
  5. e os apóstolos (a ideia é que Jesus apareceu a alguns apóstolos individualmente, como Pedro e João na ressurreição, e depois a todos eles juntos, como em Atos 1.6-11 ou a outros comissionados por Jesus para o ofício apostólico, alguns citados no NT, como Barnabé, Andrônico e Júnias). Estes não eram do grupo especial treinado por Cristo, escolhidos conforme o número das tribos de Israel (indicando a igreja como o novo Israel de Deus), mas também foram enviados pelo Senhor; apóstolo quer dizer enviado.
  6. E por fim a Paulo.

Isto significa que podemos ter apóstolos hoje? Esta é uma boa passagem para falar disso. Um apóstolo tinha requisitos para ser assim reconhecido, como ter estado com Jesus desde o seu batismo por João, até o dia de Sua Ascensão aos céus e ter sito testemunha da ressurreição (At 1); com exceção apenas de Paulo, que se diz como um nascido fora do tempo - todavia ele viu o Senhor ressurreto e isso era indispensável.

Ter sido escolhido pelo Senhor, como os 11 e depois Matias (o texto de At 1.15-26 enfatiza bem a busca pela escolha divina, naquele tempo lançando sortes) e outros comissionados. Neste trabalho nada poderia substituir o chamado e comissionamento pessoal feito por Jesus, que inclusive foi quem deu o título de apóstolos a estes homens (Lc 6.13), que não foram apenas testemunhas, mas também intérpretes dos fatos da salvação. Eles não só pregaram como registraram a pregação apostólica, escrevendo-a no NT.

Outro ponto importante é que a pregação de um apóstolo era acompanhada por sinais, prodígios e obras poderosas (HB 2.1-4), fato este que as pessoas não entendem e acham que hoje não existe tanto milagre por falta de fé da igreja. Na verdade o que vemos é falta de fé para aceitar que Deus fez as coisas assim. Embora os sinais sempre possam ser realizados por Deus, eles foram usados desta forma, naquele tempo, para validar a pregação e o ministérios de Seus santos apóstolos. É Bíblico, não dá para questionar isso. Precisamos é ter fé para aceitar isso. Mas muita gente tem falta de entendimento, não leem a Bíblia toda, não entendem o propósito daqueles milagres e tem falta de fé de aceitar isso.

Os apóstolos também foram usados para, através da imposição de mãos, o Espírito Santo ser concedido a grupos específicos de pessoas, em estágios significativos do avanço missionário da igreja, conforme descrito em Atos dos Apóstolos. (Judeus, samaritanos e gentios – Jerusalém, Judeia, Samaria, até os confins da terra. O ES foi dado a cada grupo confirmando o alcance do Evangelho a todos e não somente aos Judeus. E os apóstolos é que foram usados para este fim. Não teremos mais o recebimento do ES daquela forma).

Aliás, o livro recebe este nome não à toa. As pessoas interpretam errado o livro de Atos, achando que serão atos de todos nós, em todas as gerações. São “Atos dos Apóstolos”. O texto é Palavra de Deus viva e real para a igreja, com aplicação de princípios em todo tempo, mas não podemos esperar que se repitam de novo o cumprimento de promessas e profecias, estes foram eventos históricos e consumados. Seria como esperar que os eventos históricos dos Evangelhos, como nascimento, morte e ressurreição de Jesus se repetissem também. Foram atos dos Apóstolos, eles fizeram a obra de fundamento da igreja (Ef 2.20).

O que temos depois dos apóstolos são os pastores (presbíteros, bispos) que não recebem novas revelações, como os apóstolos. Os pastores hoje constroem sobre o alicerce apostólico, tendo Cristo como pedra fundamental. Pastor ora, estuda muito e prega a Bíblia para o rebanho que recebeu de Cristo. A Palavra é suficiente. Temos a revelação da Palavra completa hoje. Por isso, se Deus não quiser mais usar o dom de línguas e interpretação e de profecias, não há nenhum problema, a Bíblia, iluminada pelo ES é suficiente para a vida cristã.

E, então, voltando a pergunta? É possível termos apóstolos hoje? Depois de toda a explicação e a condição principal que era ter visto o Cristo ressurreto creio que restam poucas dúvidas de que não, não existem apóstolos hoje.

Mas, para que haja absoluta certeza, veja o que Paulo diz: “Por último, depois de todos, foi visto também por mim, como por um nascido fora de tempo” (1Co 14.8).

E, por último a Paulo. Ele deixa claro que foi o último a ver o Senhor, numa situação de exceção, que não acontecerá mais porque Paulo foi o último – lembre-se: apóstolo bom é apóstolo morto. Depois de Paulo não há apóstolos, só pastores e missionários.

E qual era a pregação de um apóstolo? Esta, que Paulo insiste no v.2 que devemos reter. Amém?

A partir disso, é importante entendermos que a morte e a ressurreição do Senhor têm uma série de implicações, efeitos e desdobramentos em nossa vida. Dia a dia, passo a passo. Depois da conversão, que é imediata, inicia-se outro processo da salvação em nossa vida: a santificação, que é nos moldar à imagem de Jesus, O Salvador, também segundo as Escrituras. Percebam que Paulo não fala de resolver os problemas da vida, isto não é o coração do Evangelho. Estas coisas trata-se das bênçãos de Deus para com os que priorizam o governo divino (o Reino de Deus) sobre suas vidas e a gloriosa obra de redenção (a justiça de Deus), mas tais bênçãos não recebem o nome de Evangelho e nem consistem no alvo da vida e da busca espiritual. Biblicamente não. Elas são acréscimos bondosos de nosso Deus bom. É o cuidado dEle.

A salvação e a continuação dela é o centro. A salvação é um processo.  Não entenda isso como Deus convertendo as pessoas aos poucos, dia a dia, isto não existe. A conversão é um ato soberano de Deus, instantâneo. Ao mesmo tempo em que Deus dá nova vida pecador, que é por natureza morto espiritualmente, Deus nos converte a Ele; é o novo nascimento, e este é o começo da salvação. No mesmo ato a conclusão do processo está garantida, pela soberania de Deus, mas o processo ainda precisa acontecer em minha vida e sua vida. Ou nós não percebemos que pecamos e erramos todos os dias?

Precisamos ser aperfeiçoados, mas a salvação não é uma obra que realizamos para conseguir algo no final. É algo que Jesus conseguiu para nos garantir o céu e o nosso aperfeiçoamento. É por meio dEle que começamos o processo, passamos por ele e o concluímos. Do início ao fim a salvação é pela graça e precisamos de Jesus.

Nossa experiência com o Senhor, portanto, é de Salvador no início do processo e de Senhor na condução da nossa caminhada, mostrando o que precisamos abandonar por um lado e deixar por outro, a fim de viver para a glória de Deus e o nosso próprio bem.

A Escritura, que revela a Verdade desta grande obra, não é usada para eu me sentir especial, como o centro das atenções de Deus e como fonte para as perguntas: o que vou comer? O que vou beber? O que vou vestir? Com quem vou me casar? Quando? Como pagar minhas dívidas? Não... ela é usada como deleite em Cristo Jesus, para que Ele seja o centro e eu perca esta necessidade de precisar achar que Deus vive para mim, 24h por dia e faz tudo para eu me sentir especial. Jesus, somente Ele, passa a ser o foco, o alvo da adoração enquanto eu leio as Escrituras, guiado pelo Espírito Santo, que glorifica o Senhor ao nos fazer enxergar o Cristo na Palavra e entendê-lO como a mensagem de Deus para o homem, geração após geração.  

É verdade que Deus cuida de nós, mas é verdade que Ele não vive para isso. Essa coisa de querer sempre ser o centro das atenções e atos de Deus é a infância espiritual. Aquele que é maduro começa a olhar para Cristo como o centro da sua vida, o centro da vida dos irmãos, da igreja e do mundo.

Quando Ele é o centro, Sua morte e ressurreição são centro em nossa vida. Como? Quando buscamos morrer para o mundo e viver para Deus. A leitura da Bíblia crucifica a carne e alimenta o Espírito. É esta a ação que precisamos do Espírito: a Sua Palavra em nós. Não apenas entendida, mas aplicada. Pela graça. Isto é uma vida espiritual madura e desejada dos cristãos. Onde não vive mais eu – mas Cristo vive em mim.

Isso é importante e especial demais. Onde os crentes não vivem distraídos. Nem vivem para si a semana toda e só pensam nas coisas da fé no domingo, na hora do culto. Mas no culto da vida, na vida como culto, como sacrifício vivo. Isto que a Ceia ensina par anos. O que Cristo fez, e o que continua fazendo. A Ceia fala de mais de Cristo.

Quando você joga uma pedra no lago, a água sente os efeitos não apenas no local em que caiu a pedra, mas também outras áreas daquele lado, mais adiante, são afetadas – aparecem “anéis” ao redor da pedra. Assim a morte e ressurreição entraram na sua vida, houve um efeito principal, um baque inicial, com o seu novo nascimento, promovido pela graça, por meio da fé.

Mas as outras áreas de sua vida também recebem este impacto, todas elas. Caráter recebe efeito da morte e ressureição, família recebe efeito da morte e ressurreição, sentimentos, pensamentos, objetivos, propósito de vida, todo o seu ser. E assim você muda para fazer escolhas melhores em sua vida e todas as áreas dela: finanças, estudos, trabalho, casamento etc.

Você é a mesma pessoa, só que santa e sendo santificada. Jesus morreu, ressuscitou e lhe chamou para isso.

Não espere que somente Deus aja nas áreas de sua vida. Como você tem lidado com finanças, casamento, trabalho sob a perspectiva do seu novo nascimento? Não tem? Você ainda age nestas áreas como na época que era do mundo? Só coloca as coisas na presença de Deus e pede que Ele abençoe ou pensa sob a ótica de que Deus deve ser glorificado em todas elas e age como um cristão? Se fizer isso, buscará o Reino em primeiro lugar em cada área e terá acrescentado então o cuidado de Deus, a Sua bênção.

Para agir cada vez mais como um cristão em todas as áreas da vida, peça ajuda a Jesus e aplique o que aprende da Palavra de Deus na sua vida, em todas as áreas.

Sempre haverá mais de Cristo para mim e você e dos efeitos de sua morte e ressureição.

CONCLUSÃO

Viva com Jesus passo a passo, tenha como meta o viver para Ele e viva esta jornada durante toda a sua vida. Como Oséias disse: “Conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor” (Oséias 6:3). Abra a sua Bíblia em Filipenses 3:13-16.

“Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos maduros, tenhamos este modo de pensar; e, se em alguma coisa vocês pensam de modo diferente, também isto Deus revelará para vocês. Seja como for, andemos de acordo com o que já alcançamos.” (Filipenses 3:13-16).

Desta forma vá melhorando seu compromisso de frequência ao culto, sua dedicação pessoal para fazer a obra de Deus (as coisas da igreja), abrindo o coração para ser um dizimista e ofertante com alegria, ter prazer no seu tempo devocional e na oração, buscando Jesus para não cobiçar, pecar, no momento em que for tentado

Essas coisas não acontecerão sem os efeitos da morte e ressureição em sua vida, sem, portanto, o desenvolvimento da salvação! Por isso é esta Palavra que você tem que continuar ouvindo – e não sobre prosperidade e coaching ou motivação.

E tudo o que verdadeiramente precisamos vem pelos meios de graça: a Palavra lida devocionalmente e pregada e ensinada fielmente, a oração e a comunhão dos santos, a igreja.

Que você seja um crente cheio dessa graça, em Nome de Jesus, amém!

Pr Leandro Hüttl
prleandro@batistabetel.org

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