Culto Público

“Cantem-lhe um cântico novo, toquem com arte e com júbilo. Porque a palavra do Senhor é reta, e todo o seu proceder é fiel.” (Salmo 33.3–4)

O DIA DO SENHOR[1]

O domingo, dia do Senhor, é o dia do descanso cristão satisfazendo plenamente a exigência divina e a necessidade humana de um dia em sete para o repouso do corpo e do espírito.1 Com o advento do Cristianismo, o primeiro dia da semana passou a ser o dia do Senhor, em virtude de haver Jesus ressuscitado neste dia.2 Deve ser para os cristãos um dia de real repouso em que – pela frequência aos cultos nas igrejas e pelo maior tempo dedicado à oração, à leitura bíblica e outras atividades religiosas – eles estarão se preparando para “aquele descanso que resta para o povo de Deus”.3 Nesse dia os cristãos devem abster-se de todo trabalho secular, excetuando aquele que seja imprescindível e indispensável à vida da comunidade. Devem também abster-se de recreações que desviem a atenção das atividades espirituais.4

 1 Gn 2.3; Ex 20.8-11; Is 58.13-14
 2 Jo 20.1,19,26; At 20.7; Ap 1.10
 3 Hb 4.9-11; Ap 14.12,13
 4 Ex 20.8-11; Jr 17.21,22,27; Ez 22.8

 Culto[2]

O culto a Deus, pessoal ou coletivo, é a expressão mais elevada da fé e devoção cristã. É supremo tanto em privilégio quanto em dever. Os batistas enfrentam uma necessidade urgente de melhorar a qualidade do seu culto, a fim de experimentarem coletivamente uma renovação de fé, esperança e amor, como resultado da comunhão com o Deus supremo.

O culto deve ser coerente com a natureza de Deus, na sua santidade: uma experiência, portanto, de adoração e confissão que se expressa com temor e humildade. O culto não é mera forma e ritual, mas uma experiência com o Deus vivo, através da meditação e da entrega pessoal. Não é simplesmente um serviço religioso, mas comunhão com Deus na realidade do louvor, na sinceridade do amor e na beleza da santidade.

O culto torna-se significativo quando se combinam, com reverência e ordem, a inspiração da presença de Deus, a proclamação do evangelho, a liberdade e a atuação do Espírito. O resultado de tal culto será uma consciência mais profunda da santidade, majestade e graça de Deus, maior devoção e mais completa dedicação à vontade de Deus.

O culto – que envolve uma experiência de comunhão com o Deus vivo e santo – exige uma apreciação maior sobre a reverência e a ordem, a confissão e a humildade, a consciência da santidade, majestade, graça e propósito de Deus.[3]

Culto[4]

Para os batistas brasileiros, o culto e o louvor fazem parte da adoração que o crente, individualmente, e a Igreja, coletivamente, prestam a Deus.

Culto é o modo de exteriorizar a adoração. A Bíblia não faz distinção semântica entre adoração e culto. Adoração é culto. Culto é adoração.

O culto é um serviço de adoração a Deus, que lhe é prestado como resultado do reconhecimento do que Ele é, da sua majestade, santidade, poder, glória, honra e bondade, por parte da criatura humana, do crente, do adorador (Sl 148.12-13; 12.14).

O louvor é a celebração, a exaltação, o enaltecimento das virtudes divinas, na consciência de que somente Deus é merecedor de louvor e adoração pelo que Ele fez e faz nas vidas (Sl 9.l; 98.1). O louvor faz parte da adoração e pode ser expresso pelo canto, leitura bíblica, orações, testemunhos e outras maneiras pelas quais possa o adorador reconhecer o que o Senhor fez e continua fazendo em sua vida.

Cultuar a Deus é tributar-lhe o valor supremo, porque somente Ele é digno de receber a adoração (Ex 20.3-5; Sl 96.6-10). “É a excelente dignidade de Deus que possibilita a adoração e, quando lhe é oferecida a devoção, louvor e oração. É este pensamento que deve ocupar o primeiro lugar na mente do adorador. Somente Ele é digno de adoração”.

O culto cristão é prestado somente a Deus, havendo nele a participação do homem e de Deus (Dt 6.13).

O culto, como serviço de adoração, é meio através do qual Deus se relaciona com o seu povo e revela a sua vontade, oferecendo ao crente e à igreja oportunidade de diálogo, louvor, confissão, dedicação, intercessão e proclamação. (Sl 42,43,65,84,122)

Culto é o mistério do encontro do homem com Deus, no qual ele sente a sua finitude, se curva perante a excelsitude do criador, reconhecendo, ao mesmo tempo, a infinitude e santidade do Deus trino. É a celebração que recorda os atos de Deus (Is 6.5-8); o diálogo entre o criador e a sua criatura (Gn 28.22); é a resposta afirmativa à autorrevelação de Deus aos homens e a resposta do homem a Deus. O propósito do culto não é propriamente o recebimento das ricas bênçãos de Deus, mas fazer oferta da vida e tudo que ela representa. É também dinâmico e criativo, e é uma experiência transformadora.

A primeira atividade da igreja é o culto, que deve estar no centro de tudo que a igreja faz, e é a mola principal de toda a sua atividade.

A vida toda e a organização de uma igreja devem emergir do culto, visto ser a igreja fundamentalmente um corpo que cultua. O culto deve ser também a inspiração de tudo que a igreja faz como igreja. A igreja que cultua a Deus, conforme a Sua vontade, realiza todos os seus programas – evangelismo, missões, educação, beneficência – tudo como culto, visto que são serviços prestados ao Deus a quem ama e serve.

Assim como o culto é vital para a igreja, o é, também, para o crente, que foi chamado para adorar a Deus (Jo 4.22-24), cultuando com a sua vida, dons e bens.

Cultuar é pensar em Deus e conversar com Ele, é proclamar as boas novas de Deus e ministrar a um mundo faminto e ferido o nome de Cristo. Adorar é desfrutar do mundo de Deus com gratidão, visto que Ele o fez para nós. Para o cristão, cada ato da vida é um ato de adoração, quando é feito com um amor que corresponde ao amor do Pai.

Os batistas reconhecem a importância, inclusive bíblica, do louvor na adoração, que se expressa através do cântico congregacional, individual, de conjuntos ou coral (Sl 147.1), por isso creem:

  1. Que o cântico deve cumprir os objetivos do culto a Deus, sendo, portanto, teocêntrico e não antropocêntrico;
  2. Que sua letra deve ser de conteúdo teologicamente correto e conter ensinamentos que proporcionem o crescimento espiritual e a dedicação ao serviço de Deus e à proclamação da Sua salvação (Sl 105.1);
  3. Que a música deve contribuir para adoração que se quer prestar a Deus, a quem é dirigida; para exaltar a Sua glória e para oferta de gratidão pelas grandes coisas que Ele fez e faz (Sl 126.2-3);
  4. Que, basicamente, o hino é uma oportunidade para a congregação declarar a sua experiência cristã, à luz das Sagradas Escrituras, e se regozijar coletivamente na doutrina cristã.

Os batistas brasileiros, em resumo, acreditam que cultuar é vivificar a consciência pela santidade de Deus; nutrir a mente com a verdade de Deus (Jo 8.3l,32); purificar a imaginação pela beleza de Deus (Sl 5l.1,2,7,8,10,12,15,17); abrir o coração ao amor de Deus (At.2.41-47); e dedicar a vontade ao propósito de Deus (Is 6.2-8).

[1] Declaração Doutrinária da Convenção Batista Brasileira, artigo X.

[2] Princípios Batistas. A nossa tarefa contínua, item 2.

[3] A adoração a Deus é o principal motivo pelo qual fomos resgatados! (Ap 1.4-6)

[4] Filosofia da Convenção Batista Brasileira, item 4.9.