Pregação – 1 Coríntios 4.6-13 | Orgulho e Humildade

“Irmãos, apliquei essas coisas a mim a Apolo por amor a vocês, para que aprendam de nós o que significa: ‘não ultrapassem o que está escrito’. Assim, ninguém se orgulhe em favor de um homem em detrimento do outro”.

1 Coríntios 4.6 (NVI)

INTRODUÇÃO

Neste ponto da carta, Paulo encerra sua resposta às questões que lhe foram apresentadas pelos membros da família de Cloe.

Ele abre este trecho do texto falando que aplicou algumas ilustrações à si mesmo a fim de demonstrar como acontece a instrumentalidade do crente nas mãos de Deus, a fim de que ninguém se orgulhe.

DESENVOLVIMENTO

A NVI traduz o v.6 da seguinte forma, e de todas as traduções que eu consultei foi a melhor que encontrei: “Irmãos, apliquei essas coisas a mim a Apolo por amor a vocês, para que aprendam de nós o que significa: ‘não ultrapassem o que está escrito’. Assim, ninguém se orgulhe em favor de um homem em detrimento do outro”.

Vale destacar dois pontos sobre esta fala de Paulo:

1 – Paulo está ensinando humildade a partir do seu próprio exemplo e de Apolo, da maneira que vamos abordar melhor a adiante.

2 – a expressão “não ultrapasse o que está escrito” não é bem explicada aqui. Podemos pensar imediatamente que se trata da Escritura. Embora, de fato, não podemos ultrapassar o limite de segurança da Palavra de Deus, aqui a expressão não remete a nenhuma citação específica, levando vários estudiosos a debater o assunto. A hipótese mais interessante que achei é de que Paulo está se referindo à prática da caligrafia por crianças na escola, que naquele tempo não era com “caderno de caligrafia”, com letras e palavras pontilhadas, mas as crianças copiavam em uma tábua de cera aquilo que o professor havia escrito, a fim de praticar a caligrafia, usando uma similar a da fotografia abaixo:

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A lição de casa de um aluno foi escrito em grego em uma tábua de cera há quase dois mil anos. – Reprodução/British Library Board (Fonte: Site Aventuras na História)

Qual o objetivo de Paulo com isso? Dizer que ele estava dando um exemplo que deveria ser imitado e praticado, ele não apenas se limitou a ensinar, mas a dar testemunho da verdade. Se de fato a ilustração é a prática da caligrafia, ele estava preparando seus leitores para a citação que faria adiante em 11.1 “Sejam meus imitadores, como também eu sou imitador de Cristo”.

Apesar de dar o exemplo, Paulo nunca disse ser perfeito, como eu não sou, você não – é e ninguém jamais foi ou será – todavia, temos um alvo a seguir, um padrão, que não é Paulo ou Apolo, mas Cristo.

O próprio Paulo disse:

“Não que eu já tenha recebido isso ou já tenha obtido a perfeição, mas prossigo para conquistar aquilo para o que também fui conquistado por Cristo Jesus. Irmãos, quanto a mim, não julgo havê-lo alcançado, mas uma coisa faço: esquecendo-me das coisas que ficam para trás e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus. Todos, pois, que somos maduros, tenhamos este modo de pensar; e, se em alguma coisa vocês pensam de modo diferente, também isto Deus revelará para vocês” (Filipenses 3:12-15).

A maturidade cristã está em ser um modelo para as pessoas, mas um modelo que não se julga perfeito. O que, de fato, o cristão deve querer é fazer mais pessoas seguirem ao Senhor que ele segue, mesmo com falhas e necessidades de ajustes, confiando no Consumador da fé, Jesus (Hb 12.2). Mas, o crente tem um alvo santo e não uma desculpa para falhar (Hb 10-26-31). A questão aqui é perseverança.

A mensagem foi: “Irmãos, todos ainda precisamos amadurecer, inclusive eu, Apóstolo Paulo, então vamos persistir em seguir o Mestre, Jesus”.

Mas, o que foi que Paulo forneceu a eles para ser imitado?

Quando Paulo diz: “apliquei estas coisas figuradamente a mim mesmo e a Apolo”, ele está se referindo às ilustrações que deu anteriormente na carta:

  • “lavradores” (3.6-9), onde um planta e outro rega;
  • “construtores” (3.10-15), onde um lança o alicerce e outro constrói;
  • “ministros encarregados” na NAA, ou “ministros despenseiros” na ARA – onde ambos os trabalhos de plantar e regar, ou de lançar o fundamento e construir – devem ser encarados como mero serviço fiel, em conformidade com a prescrição dada por Deus em Sua Revelação.

Nestes três casos, ninguém recebe a honra ou glória por todo o trabalho, a não ser Deus, uma vez que na obra do Evangelho, tudo é feito por mais de uma pessoa, como instrumentos divinos, e fica claro, ainda, que a origem, causa e possibilidade do crescimento é divino.

Sabemos, ainda, que por bondade de Deus teremos galardões, mas não podemos requerer méritos pela nossa instrumentalidade da graça e do propósito de Deus, que primeiro nos salvou e agora nos usa e capacita para Seu plano de salvação na terra. Os galardões são por bondade, e não por mérito.

Paulo diz que, apesar de ter falado do trabalho apostólico, este é um princípio a ser seguido por todo crente. Não somente se ver como um instrumento salvo e capacitado pela graça, mas, que o alvo do trabalho é o próximo, pois ele disse que fez o que fez “por causa de vocês” (os Coríntios).

Outra lição que podemos extrair, para o pastor americano John MacArthur, é que Paulo está ensinado aos cristão a jamais exaltarem pregador algum. E é verdade, irmãos, pois, o Único Nome que deve ser exaltado e que deve aparecer na igreja é o nome de Jesus. Isso era importante naquela época da mesma maneira que é hoje, pois, naquele tempo os filósofos e “palestrantes” engrandeciam o próprio nome, e a igreja de Cortinto corria o risco de pegar princípios do mundo e aplicar a si mesma, querendo exaltar os homens.

Essa advertência da Palavra de Deus é importante, pois, como o pastor está sempre à frente, bem como missionários e pregadores, nós somos vistos, e tanto os pregadores como a igreja podem confundir as coisas, porém, como disse João Batista: o alvo é que Ele cresça e o pregador diminua. (Os mesmos problemas acontecem com ministros de música, equipes de louvor, preletores e todos os que estão em linha de frente na igreja. Tudo deve banido e a exaltação ser dada somente a Cristo e não ao homem e suas habilidades ou desempenho).

É fato que a mensagem deve existir, e que o pregador é dado por Deus a igreja. Mas, não temos uma mensagem de nós mesmos e sim da parte de Deus.

Isso deixa claro que não existe “o ministério do fulano de tal”, existe a igreja de Cristo, onde o pastor fulano serve a Deus: o plano de Deus é a igreja, e não o ministério do pastor (ou músico, preletor, missionário(a) e afins).

Um missionário planta, ou coloca os alicerces, como mero cumprimento fiel do dever de um despenseiro, administrador, para o qual foi salvo e é usado pela graça.

Um pastor rega ou edifica, como mero cumprimento fiel do dever de um despenseiro, administrador, a fim de que Deus use o Seu corpo (a igreja) neste mundo, para a Sua própria glória, pois o crescimento qualitativo ou quantitativo da obra somente Deus pode dar.

A pergunta é: “Quem é Apolo? E quem é Paulo? São servos por meio de quem vocês creram, e isto conforme o Senhor concedeu a cada um. Eu plantei, Apolo regou, mas o crescimento veio de Deus.” (1 Coríntios 3:5,6). Louvado seja o Senhor!

Este exemplo de glorificação a Deus é que Paulo quer ensinar aos Coríntios e a todas as igrejas.

O ser humano é naturalmente autocentrado, está sempre pensado em si, na sua visão do mundo e em seus interesses. Dirigimos nosso carro pensando em nossos planos, até à igreja vamos muitas vezes pensando em nós mesmos, e, quando a Palavra não fala algo para “mim” parece que o culto não foi interessante.

Mas, cristãos foram chamados para viver para Deus.

No v.9 Paulo ainda dará mais um exemplo a fim de deixar bem claro as coisas: dirá que os obreiros foram colocados como último lugar na condenação à morte, como espetáculo: a imagem é da arena romana, onde os condenados eram levados para lutar e morrer. E, os últimos a serem levados para o massacre, constituíam o “grand finale”, sedo observados por multidões de testemunhas humanas e celestiais.

Quem assistiu ao filme “Gladiador”, estrelado pelo ator Russell Crowe, vivendo General “Maximus Decimus Meridius”, chamado de “Espanhol” no filme, lutando por sua vida, tem um exemplo claro em mente. Pessoas consideradas pelos poderosos como sem valor, cuja morte era mero entretenimento.

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Cena do Filme “Gladiador”

O fato é que o orgulho na vida de um cristão resulta na incapacidade de entender que tudo vem de Deus. O orgulho era o maior problema da igreja de Corinto, e é isto que o texto está dizendo.

Eles viviam uma ilusão, pois é o que o orgulho é; assim como qualquer outro pecado.

Portanto, vale a pena cada um de nós, vocês e eu, lutarmos contra o nosso orgulho natural humano, esta é a mensagem para os cristãos.

Aqui, do século 21 nós entendemos a situação do coração dos crentes de Corinto e os resultados dela melhor ainda, pois essa igreja passou e ninguém de lá é lembrado – a não ser o comportamento mundano que precisava ser corrigido – mas Cristo é lembrado eternamente, inclusive como Aquele a Quem podemos confessar e pedir amor, compaixão e graça para a mudança e que nos faz levantar e lutar novamente contra o orgulho, até Ele nos dar a vitória.

É o motivo principal pelo qual não podemos nos orgulhar é que tudo o que recebemos vem da providencial mão de Deus – até mesmo o ímpio recebe as coisas pela graça comum, como o sol, a chuva, a terra.

Toda a economia, por exemplo, é pela graça: tanto a matéria prima, quanto a capacidade de produção e comercialização, vêm de Deus. O problema é que eles misturam o pecado a tudo isso, porém, prestarão contas de tais atos.

E que ninguém os inveje: primeiro, porque nós estamos com Deus e eles com o diabo, segundo que mesmo que se convertam (e oramos e agimos por isso), nós tivemos o privilégio de estar a mais tempo com o nosso Criador e Senhor e terceiro, porque Deus tem planos para nós, vamos é buscar essas coisa e também aceitarmos ser talhados por Cristo, uma vez que já estamos em Seu propósito e entender que nem tudo que vivemos e fazemos neste mundo é para este tempo; mas, nosso Amável carpinteiro está nos talhando para a eternidade.

Devemos é dar graças, pois, quanto mais cedo trabalharmos para Deus, teremos mais galardões eternos na glória do Pai celestial (embora só o amor dEle já nos basta, mas Ele é bom em querer nos abençoar também lá), e aqui nunca jamais nos faltará nada dentro dos planos de Deus.

Compreender que tudo vem de Deus elimina toda a base para o orgulho.

CONCLUSÃO

Paulo faz uma séria advertência aos coríntios satisfeitos com eles mesmos, mas sem riquezas na fé. Eram crentes, mas pobres no crescimento espiritual. Eles achavam que tinham chegado ao auge, mas na verdade, havia para eles um longo caminho a percorrer. E esta é uma verdade na vida de todos nós. A igreja que achou que “chegou lá”, na verdade, tem ainda uma caminhada – mas que vale a pena.

Os apóstolos foram exemplo de humildade em sua pregação e vida. Faziam até trabalhos braçais, se preciso fosse, a fim de se sustentarem para realizar a obra missionária, graças a Deus que o tempo passou e a igreja, de uma forma geral, se organizou para manter os missionários no campo assistidos financeiramente, sem estes precisarem trabalhar secularmente (falando numa realidade batista e sei que de outras denominações também).

Todavia, naquele tempo, no começo da pregação do Evangelho, aqueles homens discipulados por Cristo fizeram uma obra sem igual e que ninguém, jamais fará. Deus os usou para o duro e difícil começo.

Naquela época, para o gregos, incluindo alguns da igreja de Cortinto, trabalhar com as próprias mãos não era honroso e estava abaixo da dignidade deles, mas os apóstolos nunca mediram esforços, e focavam na causa para a qual foram treinados pelo Deus em pessoa humana, Cristo. Por aí vemos também a força que o discipulado tem na vida de uma pessoa – e a necessidade do resgate dele nas igrejas.

Fiquemos tranquilos, ninguém aqui vai passar pelo o que os apóstolos passaram, mas todos nós devemos ter a mesma atitude humilde. O próprio Cristo mostrou igualdade, veja bem, ao lavar o pé dos discípulos, somos todos iguais. Claro que não nos igualamos à divindade do Senhor, mas, em Sua humanidade Ele nos mostrou que existimos para servir.

Num tempo de igrejas e crentes vaidosos, influenciados pelos padrões deste século, vamos buscar esta preciosidade para o nosso coração: a humildade.

E que Deus ajude, em Nome de Jesus, amém!

Pr. Leandro Hüttl

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